Por muito tempo a grande preocupação da equipe médica em relação ao câncer era a sobrevivência dos pacientes. Esse cenário mudou e o foco passou a ser também a qualidade de vida do paciente durante e após o tratamento oncológico. Obesidade: A elevação da incidência de obesidade na população é um fenômeno mundial, que faz ser considerado pela OMS uma epidemia, pelos seus mais de 15% da população serem consideradas obesas. Este problema vem ocorrendo devido a fatores individuais e sociais, como a maior disponibilidade de alimentos com alto teor calórico, a redução da atividade física e o estilo de vida moderno.

A obesidade é definida como excesso de gordura corporal em relação ao tamanho da pessoa, que é avaliada pelo IMC (índice de massa corpórea) ou pela medida da circunferência abdominal e do quadril. A obesidade está associada ao aumento da incidência e progressão de diferentes tipos de tumores. Estima-se que ela contribua para até 20% das mortes relacionadas ao câncer. Estas associações ocorrem, em parte, pelas alterações metabólicas e inflamatórias do tecido adiposo que alteram homeostase fisiológica. Por isso, recomenda-se a reeducação alimentar, adotando uma dieta saudável com baixa quantidade de gordura saturada, associados a prática de exercícios físicos regulares, pois o índice de mortalidade relacionada ao sedentarismo é o dobro do índice de mortalidade relacionada à obesidade. Alterações Cognitivas é um efeito colateral real!

Chemobrain: Cada vez mais as alterações cognitivas relacionadas aos tratamentos oncológicos vêm ganhando atenção pelos profissionais médicos e pela equipe de cuidados. No passado, essas queixas, chamadas de chemobrain, eram muitas vezes subestimadas ou desconsideradas como um sintoma real. Estima-se hoje que aproximadamente 75% dos indivíduos sofrem em alguma medida alterações cognitivas relacionadas aos tratamentos do câncer. Para a maioria das pessoas, estes sintomas em geral desaparecem em média de 6 meses à 1 ano após o término das terapias anticâncer. Ainda assim, são sintomas e podem trazer quadros de ansiedade e sofrimento adicional.

Quais são os principais sintomas do chemobrain? São alterações que ocorrem diferentes situações do dia-a-dia, desde os cuidados pessoais até atividades de trabalho ou estudo, como por exemplo a alterações de concentração, na memória e atenção, além de uma redução na velocidade de pensamento associada ou não à busca de palavras, no planejamento de múltiplas tarefas, entre outros:

– Pode ser mais difícil lembrar nomes e tarefas diárias como: horário de medicamentos, compromissos, onde deixou objetos ou itens de supermercado;

– Manter a concentração e o foco em uma determinada tarefa até a sua conclusão, dessa forma implicando no cumprimento de prazos de tarefa domésticas e/ou de trabalho;

– Concentração nos estudos. Ler um livro, artigo ou realizar as tarefas de trabalho;

– Encontrar as palavras certas de objetos ou comunicação de ideias claras.

Mas então, o que pode causar a chemobrain?

Alguns estudos referem que as drogas quimioterápicas e outras medicações podem estimular a liberação de substâncias, por exemplo citocinas inflamatórias no organismo, como uma reação do corpo aos efeitos provocados pela quimioterapia e contribui para chemobrain. Além disso, outros tratamentos como a radioterapia, corticosteroides, analgésicos e anti-eméticos, terapias de bloqueio hormonal, por exemplo tamoxifeno ou anastrozol, podem também contribuir para estes sintomas cognitivos,  alterações de sono, estresse, ansiedade ou depressão elevadas. Outros estudos, mais recentes, mostraram evidências clínicas dessa redução de concentração e memória, relatado por algumas mulheres que fazem uso contínuo do tamoxifeno, um medicamento bastante utilizado no tratamento do câncer de mama. As pacientes referem ter a sensação de nevoeiro mental ou pensamento nebuloso (“mental fog”) bastante similar ao chemobrain. Se você perceber estes sintomas procure sempre conversar com o seu médico e equipe de cuidado.

Aqui vão algumas estratégias e dica para lidar melhor com estes sintomas:

– Gerencie sua energia mental: alterne tarefas difíceis com mais facilidade e tarefas agradáveis;

– Use seus melhores momentos do dia para o melhor realizar as tarefas mais difíceis e desafiantes;

– Cuide para ter uma boa qualidade do seu sono e uma alimentação balanceada e saudável;

– Procure fazer uma coisa de cada vez, e realize as tarefas em várias etapas.

– Mantenha um bloco de notas ou o celular por perto para anotar tarefas, itens ou pensamentos, para reduzir as distrações e ajudá-lo a se lembrar desses itens futuramente;

– Tente se organizar melhor e escolha locais específicos para colocar seus objetos;

– E por último, e não menos importante: pratique exercícios regularmente! Evidências recentes demonstram que o exercício aeróbico moderado pode ajudar a reduzir esses sintomas cognitivos.

Mental Fog: Recentemente algumas linhas de pesquisa descobriram evidências clínicas dos problemas de concentração e memória, um efeito colateral frequentemente relatado por algumas mulheres que fazem uso contínuo do medicamento Tamoxifeno, bastante utilizado no tratamento do câncer de mama: a sensação de nevoeiro mental ou cerebral (“mental fog”). Esse sintoma não é infrequente, porém, é tratado às vezes de forma anedótica mesmo entre profissionais da área da saúde. O próprio desconhecimento deste sintoma pode levar as pacientes acometidas ao sofrimento emocional, além de impactar na qualidade de vida, a poder se pendurar por muito tempo. Este sintoma é bastante similar aos que ocorre com alguns pacientes submetidos ao tratamento de quimioterapia: o nevoeiro quimioterápico (chemo-brain).

Pesquisadores da Universidade de Rochester nos EUA mostraram que o tamoxifeno produz um efeito tóxico para certas células do nosso sistema nervoso central e do cérebro, o que explicaria este fenômeno de “nevoeiro mental”. Por outro lado, os cientistas também descobriram um composto que pode auxiliar a proteger as células cerebrais de tais efeitos adversos dessa droga. Estudos em animais realizados equipe, do Dr. Mark Noble, conseguiu isolar células do cérebro e do sistema nervoso prejudicadas pelo tamoxifeno. Uma outra substância, a AZD6244, poderia impedir o efeito tóxico do tamoxifeno de células cerebrais sem perder o efeito de proteção para as células cancerígenas. “É fundamental encontrar tratamentos seguros que possam resgatar o cérebro de danos”, disse Dr.Noble, “porque, apesar do aumento da conscientização e da pesquisa nessa área, algumas pessoas continuam sofrendo perda de memória a curto prazo, nevoeiro mental e problemas de concentração. Para alguns pacientes, os efeitos desaparecem com o tempo, mas outros apresentam sintomas que podem levar à perda de emprego, depressão e outros eventos debilitantes”.

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